Há alguns anos comprei esse livro de autoria do Dr. Drauzio Varella, mas devido à falta de tempo com faculdade e trabalho, só agora comecei a ler.
E também já parei! Pela primeira vez não consegui terminar uma leitura.
Primeiro comecei a achar estranho, uma vez que o subtítulo do livro é “escritos sobre ciência e saúde” e não encontrei em nenhum lugar do livro indicação de muitas das afirmações ali expostas – justamente as mais importantes.
No todo, o livro possui quase 400 páginas e apenas 91 referências. Ou seja, para escritos sobre ciência está faltando explicitar suas fontes.
Ainda assim, tentei levar a leitura a diante, porém quando cheguei no capítulo “O sonho”, simplesmente, apesar do meu hábito de leitura há anos cultivado, não entendi o argumento:
Como herdamos a capacidade de sonhar de nossos ancestrais, e como os animais não possuem linguagem, as informações processadas durante nossos sonhos são obrigatoriamente sensoriais.
Por isso, eles [os sonhos] são repletos de imagens e nunca adquirem a forma de narrativa verbal.
Para mim , frases sem o menor sentido! É de conhecimento de todos que somos animais dotados da capacidade natural da linguagem. Tive a impressão de que o autor em questão confundiu a fala de um narrador com a narrativa.
Mas, como adoro ler e nunca deixei um livro sem concluir, continuei no capítulo seguinte, intitulado “Planejamento Familiar”, quando li o seguinte a respeito das supostas oposições ao uso de métodos contraceptivos:
Os comunistas e a esquerda simpatizante, por defenderem que o aumento populacional acelerado aprofundaria as contradições do capitalismo e encurtaria o caminho para instalação da ditadura do proletariado. A igreja, por considerar antinatural – portanto, contra a vontade de Deus – o empego dos métodos contraceptivos.
O resultado dessas ideologias não poderia ter sido mais desastroso. Em 1970 éramos 90 milhões; hoje temos o dobro da população, boa parte aglomerada em favelas e na periferia das cidades. Japão, Noruega ou Finlândia conseguiriam oferecer os mesmos níveis de atendimento médico, de educação e de salários para os aposentados, caso tivessem duplicado seus habitantes nos últimos trinta anos?
O que mais assusta, entretanto, não é havermos chegado à situação dramática em que nos encontramos; é não adotarmos medidas para remediá-la. Pior é ver não apenas os religiosos, mas setores da intelectualidade considerarem politicamente incorreta qualquer tentativa de estender às classes mais desfavorecidas o acesso aos métodos de contracepção fartamente disponíveis a quem pode pagar por eles .
(…)
O problema existe justamente porque somos um país cheio de gente pobre, e educar filhos custa caro. Como dar escola, merenda, postos de saúde, remédios, cesta básica, habitação, para esse exército de crianças desamparadas que nasce [sic] todos os dias? Quantas cadeias serão necessárias para enjaular os maus comportados? [sic, sic, sic!]
Depois disso pensei: Que absurdo! E parei de ler o livro.